Déficit de armazenagem em São Gabriel do Oeste é um dos maiores do Estado, mostra painel da Aprosoja/MS

O desabamento de um armazém de grãos em São Gabriel do Oeste, chamou atenção para um dos desafios estruturais do agronegócio de Mato Grosso do Sul: a capacidade de armazenagem da produção de grãos.
A estrutura, localizada às margens da BR-163, tinha capacidade para armazenar até 42 mil toneladas de grãos e estava com 80% de sua capacidade utilizada no momento do incidente. Segundo informações divulgadas pela empresa responsável pela estrutura, não houve feridos com gravidade. As causas do acidente ainda serão investigadas por meio de perícias técnicas.
Dados do levantamento de armazenagem da Aprosoja/MS mostram que São Gabriel do Oeste está entre os municípios sul-mato-grossenses com maior déficit de armazenagem de grãos. Levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundesm/Semadesc, aponta que o município de São Gabriel do Oeste também está entre os principais polos produtores de grãos do Estado.
Com base na média dos últimos cinco anos, a produção é estimada em 533.907 toneladas de soja e 594.547 toneladas de milho, totalizando 1.128.453 toneladas. Considerando ainda um acréscimo de 20% indicado pela FAO, a demanda potencial de armazenagem chega a 1.354.144 toneladas. No entanto, a capacidade instalada é de 791.313 toneladas, resultando em déficit de armazenagem de 562.831 toneladas.
“São Gabriel do Oeste é uma região que se destaca pela força da produção e pelos bons índices de produtividade. A capacidade de armazenagem também vem sendo ampliada, acompanhando esse crescimento. Ainda assim, os dados mostram que existe um déficit importante e que precisamos continuar avançando na infraestrutura para que a armazenagem acompanhe o potencial produtivo da região e ofereça mais segurança e eficiência para o produtor”, pondera o diretor da Aprosoja/MS, Sérgio Marcon, produtor rural em São Gabriel do Oeste.
No cenário estadual, a capacidade de armazenagem alcançou 16,39 milhões de toneladas em 2025, crescimento de aproximadamente 10,9% em relação ao ano anterior. Apesar da expansão, o ritmo de aumento da infraestrutura ainda não acompanha plenamente o crescimento da produção em algumas regiões, mantendo gargalos logísticos e pressão sobre os custos de comercialização.
De acordo com o estudo da Aprosoja/MS, Maracaju lidera o ranking estadual de déficit absoluto, com 1,35 milhão de toneladas, seguido por Ponta Porã, com 1,23 milhão; Rio Brilhante, com 665 mil; e São Gabriel do Oeste, com 562 mil toneladas.
Armazenagem é estratégica para o produtor
Para o gerente Institucional da Aprosoja/MS, Tauan Almeida, conhecer onde estão os gargalos é fundamental para orientar investimentos e políticas públicas voltadas à infraestrutura do Estado.
“O crescimento da produção precisa estar acompanhado de infraestrutura. A armazenagem é um dos pontos fundamentais para dar mais eficiência à cadeia produtiva, reduzir gargalos logísticos e ampliar as possibilidades de comercialização para o produtor”.
O coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, avalia que a falta de capacidade de armazenagem não representa apenas uma questão de infraestrutura. “Para o produtor, a disponibilidade de espaço próximo às regiões produtoras pode influenciar diretamente a logística, os custos de transporte e as condições de comercialização da produção. Quando a capacidade não acompanha o volume produzido, aumenta a pressão sobre o sistema durante a colheita, período em que diferentes produtores precisam movimentar grandes volumes de grãos simultaneamente”.
Dados
A Aprosoja/MS disponibiliza o Dashboard de Armazéns de Mato Grosso do Sul, ferramenta desenvolvida a partir de informações do Projeto SIGA-MS e que permite consultar dados de armazenagem por município.
O painel reúne informações sobre a capacidade instalada e possibilita comparar a estrutura disponível com a produção, contribuindo para identificar regiões que demandam novos investimentos em armazenagem. O acesso é gratuito.
O levantamento também evidencia que a situação não é uniforme em todo o Estado. Enquanto alguns municípios apresentam capacidade superior à necessidade estimada, importantes polos produtores convivem com déficits expressivos.
“Para a Aprosoja/MS, o monitoramento contínuo desses dados é importante para acompanhar a evolução da produção e da infraestrutura e contribuir para um planejamento mais eficiente do agronegócio sul-mato-grossense”, finaliza Tauan.
As causas do desabamento ocorrido em São Gabriel do Oeste ainda serão apuradas pelas autoridades e por perícia técnica. O episódio, independentemente de suas causas, reforça a importância de discutir a estrutura necessária para armazenar a produção que chega aos armazéns de Mato Grosso do Sul a cada safra.
Nota da cooperativa responsável pela estrutura
Informamos que ocorreu um acidente estrutural em um dos armazéns, causando danos à estrutura. Felizmente, não houve feridos com gravidade. Neste momento, a prioridade é garantir a segurança do local, avaliar as causas e tomar as providências necessárias.
Texto: Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS)
Foto: Aprosoja/MS









